quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Partida partida

Carta ilegal
Ilegível
Natural

Jogos sem sentido
Sentimos,
Sentidos

Passo contado
Quase marcado
De medo

De fato guardado
Momento Cifrado
A cada degrau

Matrizes feridas
Memórias,
Abismo

Um passo em falso
Num falso real.

Neto Siqueira.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Olhos perdidos
Entregues
Encontros
Me afetam,
Me calam,
Me falam
O que vejo
Disparo
Paro... pára

Segundos medidos
Pequenos
Previstos
Te peço,
Te calo,
Te falo
Disparo
Não para... nao paro...

Neto Siqueira.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Simples assim
Distantes,
Perdidos
Faces sob sombras
Entre sonhos
Passos sóbrios
Sobre cacos
Olhos permeáveis
Lágrimas constantes...
Encontro
Paralelos
Sentidos ocupados
Momento lúdico
Você,
Simples assim.

Neto Siqueira.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Simples gesto irreal
Enquadra o quadro
Em ausente pintura
Pura plena magia oculta

Como parecer oculta
Faz-se clara menina
A flor da linda pele
A face farta

Tão, que camufla
Dom, que chama
Becos escuros
Nas sensações do seu

De resto, o meu
Busca no escuro
Mistura,
Em prevista sintonia.

Neto Siqueira.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nem sonho,
Nem filme,
Nem nada...
O que dizer quando as estrelas deitam no morro atentas às minhas palavras?

É cedo ainda,
Acaba de escurecer
E os brilhos distantes
Seguindo o sentido da estrada
Enfeitam a noite quente dos nossos desejos.

Aqui em cima... nada
Apenas uma janela aberta
Sem paredes
Sem casa
A janela flutua no silêncio da noite
Pra gente se debruçar e tocar as estrelas

Eu tenho uma na mão
Olho pra ela e consigo dizer
"Eu te amo"
O silêncio da noite impera
E sua resposta vem no beijo.

O que dizer quando as estrelas voam ao meu redor depois de me ouvirem amar?

Nem sonho,
Nem filme,
Nem nada...
É só o amor e suas falácias.

Mariana Guimarães.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Houve um tempo que os sentimentos dele eram como jogos infantis, onde risos e choros faziam parte do pique e do esconde-esconde. Ele, como ninguém, soube aproveitar esse tempo com brincadeiras e amizades sinceras e ingênuas e meninas à sorrir com seu jeito esperto e engraçado de viver.
Hoje seria dia de se encontrar com ela, fazer o tradicional passeio na pracinha e depois ir à sorveteria até escurecer, quando ele a levaria para casa e logo seguiria para a sua e deitaria na cama, pegaria a caneta e o caderno na mesinha ao lado e começaria a escrever seus diários textos.
Algo nesse dia lhe parecia diferente. Depois de escrever a terceira linha, ele se da conta de que as duas anteriores, pela primeira vez, estavam vinculadas a ela. Ele realmente estava apaixonado.
Ela, ao chegar em casa, tomava banho e esperava a chegada das amigas para as conversas e fofocas da semana. Era quase que inevitável assuntos relacionados à meninos. Entre risadas, surgiu uma voz que dizia de um novo garoto da cidade, bonito e rico que estaria interessado nela.
Nessa mesma noite, quando as amigas já haviam ido e ela encontrava-se deitada, lhe ocorreu o que nunca havia ocorrido... ela acabara de recordar do seu recente sonho com o garoto bonito e rico no qual as amigas falaram. Ela realmente estava apaixonada.
Para ele, hoje seria um novo dia de se encontrar com ela. Mas dessa vez não houve os tradicionais passeios e sorvetes e ele caminhou sozinho até sua casa. Ele continuava apaixonado... sofria e chorava, dormia e acordava, sempre pensando nela e no tempo em que seus sentimentos eram como jogos infantis, onde risos e choros faziam parte do pique e do esconde-esconde. Pensando como aproveitava esse tempo com brincadeiras e amizades sinceras e ingênuas e meninas à sorrir com seu jeito esperto e engraçado de viver.
Tempo esse que o amor era uma utopia!!!

Neto Siqueira

terça-feira, 24 de março de 2009

Versos Instáveis

Límpida a pupila,
Ansiedade próxima de mim
Ao te ver...
Suor constante sobre o rosto,
Silêncio
Enigma contextual de um suposto romance
Inesperado encontro
Relativo ao ponto de tornar minha pele fria
Antecipando o riso,
Um paradoxo de pensamentos...
Aqui, dois corpos se cruzam.

Neto Siqueira

domingo, 22 de março de 2009

Chuva forte
Havia tempo que ela não aparecia
Tocando violão num quarto quente com constantes goles d’água a cada música, eu ainda não podia compreender a minha sensação repentina desconhecida. Seria por que finalmente consegui tocar uma música do Vinícius de Moraes? Seria por conta da chuva? Ou seria a água que estaria adulterada?
Tentei esquecer por um instante a chuva, a água e o violão e pus o fone no ouvido: “ô chuva, peço que caia devagar...” definitivamente era preciso que isso acontecesse !!!
Logo depois toca uma música do Vinícius de Moraes na rádio. A sede não parava, era preciso pegar outra garrafa.
Se não houve como fugir, a opção seria retornar às minhas atividades. A música que eu tocava já não era mais do Vinícius; a chuva forte transformara em chuvisco e eu já não sentia mais sede.
Algo que não mudou foi a sensação repentina desconhecida. Essa, agora sensação conhecida, era a lembrança da noite fria e chuvosa, num luau à tocar Vinícius de Moraes, onde te conheci.

Neto Siqueira